“Onde estive enquanto vivia a minha vida?”
Foi com essa pergunta que, Dulce Critelli encerrou um dos seus maravilhosos artigos escritos para a Folha Equilíbrio(10/07/2008) e que teve imediata ressonância com meus sentimentos e, especialmente, com meu momento de vida.
Uma pergunta assim nos acorda para a vida, para o seu valor e para o que realmente importa. Temos uma facilidade tão grande para teorizar, para projetar sonhos e desejos num futuro inatingível que acabamos esquecendo do instante a que pertencemos, dos afagos que podemos efetivamente nos permitir e nem estou pensando em grandes movimentos, apenas em momentos bem preenchidos com prazer.
Essa semana fui experimentar uma aula de dança afro, um sonho antigo que estava arquivado junto com tantos outros. Uma aula difícil de encontrar nas academias e, mais ainda, a quase impossibilidade de acrescentar mais algum compromisso na agenda. Incrível como os deveres sempre cabem e os prazeres ficam suspensos, para quando houver alguma brecha na rotina. Viramos especialistas em armazenar sonhos, um descuido conosco e com o que traz significado para nossas vidas. Do adiamento do prazer, nem falo, fico angustiada só de perceber esse descaso …
Mas a aula apareceu para mim, perto de casa, às segundas, ou seja, antes da semana ganhar ritmo próprio, enfim, tanto à favor que resolví derrubar as resistências e dar voz para aquela vontade que reacendia em mim. Um sonho adolescente realizado com facilidade surpreendente! Não consigo nem descrever a sensação do corpo se soltando ao som dos tambores e atabaques, o desligar da mente, o tempo parando e o que importava era o corpo aceso, o coração pulsando, mais vivo do que nunca! Eu inteira, primitiva e urbana…
Viví ali, não só a sensação prazerosa do movimento, mas um tanto da herança cultural de antepassados que não conheci, de uma Bahia com todos os cheiros, ritmos, vibrações, transportados para aquela sala de aula, me fazendo reviver uma euforia juvenil e relembrando emoções que jamais deixaram de me pertencer. Me fêz lembrar dos sonhos que tinha quando criança e consequentemente de outros tantos que esqueci ao longo da vida, Apenas uma hora de passos e coreografias, pouco se pensarmos no tempo cronológico, mas suficiente se considerarmos a intensidade das emoções vividas, mais que suficientes para me alimentar, para dizimar o cansaço de um final de dia. Saí leve, mas alerta para o tanto que há para se viver quando permitimos que nossos desejos falem mais alto. Falo desses desejos, bem possíveis de realizarmos, que talvez sejam esquecidos justamente por não possuírem a magnitude das grandes pretensões ou pareçam demasiadamente juvenis…
O melhor de tudo é perceber que muitos dos meus sonhos não morreram, pelo contrário, continuam muito vivos, basta torná-los projetos novamente – projetos que não sejam arquivados mas vividos, deliciados.
Dia desses uma amiga perguntou se eu não estava olhando demais para o lado bom da vida e negando os outros lados. Respondí que era uma questão de opção! Os lados ruins, não os nego, aprendo com eles, me constituem também, afinal tenho tanto a elaborar, depurar, crescer; mas, cara-de-pau ou não, prefiro mesmo é focar no que vale à pena, no que traz sentido para a minha vida, nos grandes encontros que ela me proporciona, nos seus momentos mais preciosos.
A idade tem me provocado um desejo cada vez maior de reviver meus sonhos antigos. Infantis ou não, são meus e, pela pequena amostra que tive na última segunda, valem muito à pena! Ah, milhões de tesouros que ainda quero reconquistar…
Sem querer, “ebarrei” neste videoclipe. Super sessentinha! Mas até que poderia ser atual. Dá pra imaginar o mesmo look da cantora num desses clipes moderninhos de brit-pop, né?
O final de semana está aí.
Um tempinho mais do que merecido só pra gente….
pra gente usar como quiser e puder. Dias lindos, com cara de verão. Noites quentes.
Aqui em São Paulo, que já oferece tantas opções de programa, está rolando uma prévia da Restaurant Week e outro evento no mesmo estilo - que até ganhou o apelido de “balada week” - veja aqui a programação completa.
Aproveite também para dar aquela passadinha numa das lojas Flor. A nova coleção está fresquíssima e você encontrará peças perfeitas para ficar linda e confortável, de noite ou de dia, em qualquer ocasião.
Semana passada finalmente consegui assistir Emoções Baratas, de José Possi Neto. Um espetáculo maravilhoso… Desde o momento em que a gente pisa no saguão, a atmosfera criada pela direção, bailarinos e músicos nos envolve. Somos lentamente “transportados” para o universo dos antigos clubes de jazz - numa viagem através das composições de Duke Ellignton, executadas ao vivo por uma Big Band. Super recomendo, mesmo quem não conhece a obra dele ou não é especialmente interessada por jazz - fui com uma amiga que se enquadra exatamente nesse perfil e ela também amou! Minha dica pra quem gosta de boas surpresas é escolher os lugares nas primeiras mesas. O musical fica em cartaz de quinta a domingo, no estúdio Emme (antigo Avenida Club): Avenida Pedroso de Morais, 1.036, Pinheiros, (11) 2626-5835. Horários e informações por aqui.
Neste finds ultrapassamos 140 mil acessos ao blog da Flor.
Mais que o número, comemoraramos mesmo o que ele representa: 140 e tantas mil oportunidades de trocar idéias, imagens, mensagens, músicas, opiniões… e dividir este espaço com você.
É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que já se viu no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles.
Não é porque o dia 13 deste mês cai na sexta-feira que as coisas tem que ficar mais complicadas hoje.
Aliás, para mim, essa história de vincular Agosto a desgosto… é de muito mau gosto. Aproveite o dia, o final de semana, desfrute o mês inteirinho - pra começar!