Texto especial do mês, por Isabella Alvin
“Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…”Fernando Pessoa
Mês de aniversário sempre foi para mim um paradoxo: bom demais ter um dia só meu, celebrar, ser paparicada Por outro lado, a constatação de que o tempo não pára, passa voando . A reflexão do que tenho feito da vida, como tenho conduzido minhas escolhas bate forte… Vou confessar que o frio na barriga é inevitável!

Desses não dá pra fugir e, com o passar dos anos, os questionamentos aumentam, a sacudida é maior.
O curioso é que nunca gostei de comemorar aniversário - achava que ficava meio deprê nesse período . Mas o tempo me mostrou que o sentimento era outro, se chamava introspecção O mês de setembro ia avançando e eu fechava pra balanço . Nada de grandes comemorações! Não curtia ser evidência justo num momento onde me sentia tão vulnerável, com tantos sentimentos aflorando em mim.
Mas seguimos por caminhos tortos e eis que vieram os filhos. O meu dia não podia mais existir sem bolo nem velas. Como explicar que existia aniversário sem brigadeiro?
Com o passar do tempo , o meu dia foi se incrementando e, além do bolo, velas e o infalível brigadeiro, apareceram bolas coloridas, as músicas cantadas mais vezes, a expectativa de ser lembrada, a espera pelos abraços apertados …
Sem perceber, fui resgatando todo o encantamento que não sabía mais onde encontrar. E gostei do sabor, da leveza, da espontaneidade dessa criança interior. Ela tinha mais surpresas do que imaginava, foi desvendando uma parte esquecida da minha vida … Trouxe de volta sentimentos valiosos, recordações de momentos plenos de felicidade que ficaram lá na infância .

A vida vai passando, as responsabilidades aumentando , enfim, um longo futuro pela frente, repleto de expectativas -a maioria criadas por nós mesmos - nos aguardando, batendo com força à nossa porta . Ok, afinal Lulu Santos já cantava em rima e prosa: “Vamos viver tudo o que há pra viver, vamos nos permitir…“ O futuro vem repleto de possibilidades também e definitivamente não quero nega-lo . Mas nada me impede de cultivar um caminhar mais leve, menos engessado, sem desperdícios de vida . Quero viver o caminho com os desejos pulsando, exercitando ser quem sou e me mostrando por inteiro: a suavidade da infância, a impetuosidade da adolescência e o verdadeiro sabor das descobertas.
Ah, esse ano o meu dia foi embora com gosto de quero mais! Acho que estou ficando expert em fazer aniversário . Nada mal para quem quer viver tudo que há pra viver…
Fotos: Jolene Monhein - Ferenc Eczeki
Adicionar comentário 5 de Outubro de 2009 às 08:24 Fernanda