Texto especial do mes, por Isabella Alvim
3 de Novembro de 2009 às 16:27 Juliana | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 217
“O que não é planejado emociona bem mais do que confirmar expectativas.”
Fabrício Carpinejar
Mês passado assisti a um filme que gostei pra valer. Concordo que gostar ou não é pessoal e tem a ver com referências, experiências e as histórias de vida de cada um. Aliás, é maravilhoso quando nos encaramos únicos, sem outra fôrma igual. Gostar ou desgostar, tudo muito pessoal - singularidade que nos liberta para sermos nada mais que nós mesmos.
Voltando ao filme, o que mais me encantou foi saber que, além da estória envolvente, todos os atores não eram atores de verdade. A autora, por sinal, é a personagem principal e preferiu buscar uma autenticidade maior desta forma, a representação sem o vício da técnica . Fiquei pensando o quanto essa tendência é atual: cada vez mais filmes surgem com esta proposta . A poesia, as artes plásticas e a moda também seguem caminhos parecidos… É a busca pela espontaneidade, pela verdade dos fatos, das expressões, das relações.
Sem evitar o trocadilho, é bem verdade que cada um tem a sua Verdade e a escrevo assim, propositalmente, com letra maiúscula ; talvez por uma atitude respeitosa pelo que nos toca, pelo que faz realmente sentido em nossas vidas. Dá um frio na barriga pensar em conteúdos tão essenciais perdidos em algum canto, negligenciados, esquecidos por aí.
O filme vai e volta na minha cabeça como um recorte lindamente orquestrado sobre o feminino, sobre sonhos e angústias universais, sobre nossas verdades e mentiras, independentemente de sermos homens ou mulheres. Quando menciono o feminino, a referência é sobre o nosso lado emocional, sobre o que nos torna essencialmente humanos. Um lado de nós mesmos que, segundo as expressões artísticas atuais confirmam, precisa ser resgatado cada vez mais. Será que ainda nos deixamos surpreender? O quanto confiamos nos nossos próprios passos e nos deixamos guiar pela intuição? Permitir a conexão com essa voz interna, que dá sentido ao que somos , à nossa viagem e nos conecta aos maravilhosos mistérios da vida …
Ah, essa contemplação que fazemos do nosso próprio umbigo é viciante e nos faz acreditar na fantasia infantil de que o mundo gira em torno dele. Viveremos essa fantasia pelo resto de nossas vidas ou a trocamos pela nossa Verdade?
Gostoso enxergar com olhos de criança - não me canso de insistir - mas viver de fantasia não dá! Somos únicos mas não estamos sozinhos… Uma bela olhadela de fora para nós mesmos, para além dos nossos umbigos é um exercício precioso. Quem fomos? Quem nos tornamos? Nada disso é possível quando se perde a espontaneidade e, com ela, a capacidade de se surpreender. Segundo Vínicius, a vida só se dá pra quem se deu…
Antes que esqueça, o filme de que gostei tanto é Caramelo, filme libanês de Nadine Labaki. Uma reflexão universal e literalmente deliciosa sobre o feminino e suas questões. Deu uma vontade enorme de conhecer Beirute… Não a cidade dos mapas geográficos… Vontade grande de conhecer a Beirute que existe dentro de mim.
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3 Comentários Faça seu próprio
1. Luciana | 4 de Novembro de 2009 às 15:40
Linda a conclusão do texto, parabéns!
2. Juliana | 4 de Novembro de 2009 às 20:15
Bella!
vou correr para assistir á esse filme, otima pedida para final de ano…tempo que fazemos mais reflexoes sobre nós, a vida que levamos e o que queremos inovar para o ano que já vem apontando…
beijo grande,
Ju
3. fernanda prats | 10 de Novembro de 2009 às 21:42
ameeei esse filme… assisti com meu namorado, que é ator, depois conversamos bastante sobre tudo isso: gente de Verdade, a vida num lugar de onde temos pouquíssima informação, como o Feminino é tratado de uma forma bacana, sem aqueles clichês que esvaziam o assunto com frivolidades… mais uma vez, li cada uma de suas palavras com um sorriso no rosto! beijos
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